sexta-feira, 10 de maio de 2019

Café

Café
J.G. Lima

Primeiro veio a raiva.
Ou nem veio, porque ela sequer apareceu.
Espera..
Espera..
Ansiedade..
..
..
..
E nada. Nem sinal.
Ao final, quando já desistindo, ela avisa: não vou. Não vai dar.

Depois veio o desprezo.
Silencioso. Interno. Quem despreza não demonstra, simplesmente ignora.
Mas não dava, as palavras dela chamam atenção.
Basta aparecer para chamar atenção, inevitável.
Como pode coexistir inocência tão natural com um ar tão provocante? Basta respirar!
Inocência implícita. Age como se nem soubesse o que faz.
Ignora-la? Impossível.
Esforço inútil, ponto gravitacional, atração fatal, ela não sai da cabeça.

Por fim, o amor?
Não sei bem como chamar. Afinal é algo bem mais que atração e bem menos que a devoção total de outrora. É algo mais como café, confortável e estimulante, rotineiro e espontâneo. 
Confusa e confiável. Hipócrita e constante. BIzarra¡ Inexplicável. Atração imediata. Olhar rápido. Fome e planejamento. Amor e sexo e nada disso, nada mesmo, e tudo, tudo ao mesmo tempo.